Blog interativo que trata de assuntos ligados à mídia, ao cotidiano e diversas outras áreas da sociedade.

20/12/2020

Os Direitos sexuais e reprodutivos das pessoas com deficiência

 


No último encontro do ano, em 17/12/2020, tivemos aula expositiva e dialógica com a participação de Maristela Lugon Arantes. Maristela é Doutoranda do programa de pós-graduação em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, Mestre em Direito em garantias fundamentais pela FDV, além de Advogada. 

Três textos foram postados para leitura prévia:
- Da capacidade das pessoas com deficiência intelectual à luz da vulnerabilidade social e o Instituto da tomada de decisão apoiada (Mariana Frizzera e Cristina Pazó);
- Gênero e deficiência: interseções e perspectivas (Anahi Melo e Adriano Nuernberg);
- O que é deficiência (Débora Diniz).

Link para acesso aos textos:

A convidada trouxe para o diálogo uma questão importante na sociedade, que é a deficiência. Trata-se de um tema bastante relevante para debate, tendo em vista as diversas visões erradas e preconceituosas que boa parte das pessoas possuem em relação às pessoas com deficiência. Maristela mostrou que há 3 (três) tipos de modelos conceituais da deficiência:
- Modelo religioso: entende a deficiência como castigo divino;
- Modelo médico-reabilitador: deficiência como patologia e a busca para compensá-la;
- Modelo biopsicossocial: tendência atual, articula fatores sociais, biológicos e psicológicos. Reconhece a complexidade frente à deficiência.

A apresentação da convidada foi muito rica, pois abordou um tema bastante delicado em nossa sociedade. A deficiência traz a visão de limitação, mas percebemos que em muitas oportunidades a própria sociedade limita determinadas pessoas, não proporcionando acessibilidade e igualdade de oportunidades àqueles que possuem algum tipo de deficiência. Falta equidade, falta respeito, e, principalmente, falta empatia em relação às pessoas com deficiência. 

No Brasil foi criado o Estatuto da pessoa com deficiência, representado através da Lei 13.146/2015. Em seu artigo 1º - caput, está escrito que:
Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de inclusão da pessoa com deficiência (Estatuto da pessoa com deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e da liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

Maristela citou um termo pouco conhecido chamado de "capacitismo". Para entender melhor esse termo ela trouxe o seguinte conceito:
"O capacitismo se manifesta todos os dias de diferentes maneiras: quando você usa um banheiro para pessoas com necessidades especiais ou quando questiona a necessidade de que um banheiro especial seja instalado em uma empresa ou mesmo espaço público; quando diz ao colega (que você sabe ser portador de alguma deficiência) que ele parece bem; ou ainda quando admira as pessoas com deficiência que vivem a vida como se fossem "normais". Independente da forma como essas ações se manifestam, todas elas ferem os outros."
Para entender ainda mais o termo, foi disponibilizado um vídeo de Caroline Borges. Ela fala sobre o capacitismo e alerta para atitudes que caracterizam uma pessoa como capacitista sem que ela nem saiba/perceba. O vídeo está disponível no link abaixo:
 
Esse último encontro fechou com chave de ouro as aulas - no ano de 2020 - do componente Gênero, Direitos reprodutivos e direitos sexuais no Brasil. Ao longo do quadrimestre fomos presenteados com aulas excelentes. Todos os temas abordados foram bastante enriquecedores, trazendo reflexões e entendimento em relação a termos e situações do dia a dia, esclarecendo conceitos e debatendo situações do cotidiano que escancaram preconceitos enraizados na sociedade.

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12/12/2020

Machismo estrutural


O encontro de 10/12/2020 trouxe uma aula expositiva e dialógica com a presença de Ana Gabriela Rangel Poncio. Ela é Coordenadora e docente do Curso de Direito na Faculdade Multivix. Coordenadora do Centro de estudo em gênero (CEG), desenvolvido na Faculdade Multivix Serra. É Mestra em Direitos e garantias fundamentais e Direitos pela FDV. Ana Gabriela é graduada em Direito pela FDV, além de ser Advogada.


Alguns textos foram disponibilizados para leitura prévia: 

- O poder do macho (Heleieth Saffioti);

- Minha história das mulheres (Michelle Perrot);

- A condição humana (Hannah Arendt);

- Gênero, o público e o privado (Susan Okin). 


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1IZyHJt-5uhorDPk6Wdiwd98O_30CATpS?usp=sharing


Ana Gabriela abordou a história da dominação masculina, o contexto histórico do machismo estrutural e toda a imagem criada a respeito da mulher, a qual sempre foi objeto de sensualidade, enquanto o homem sempre foi visto como símbolo de trabalho. A apresentação trouxe diversos temas que, ao longo da história, fizeram parte de toda a formação da imagem da mulher. Feitiçaria, bruxarias, demônios, pecado, ódio, são palavras que fizeram parte do cotidiano das mulheres na Idade Média, onde eram julgadas, castigadas e mortas através de interpretações erradas feitas pela sociedade daquela época.

A Docente citou ainda temas importantes como estupro e assédio contra a mulher, evidenciando momentos em que apenas o estupro coletivo era passível de julgamento. Algumas propagandas foram mostradas durante a apresentação, as quais traziam caricaturas/imagens femininas que evidenciavam peças publicitárias agressivas, que deslumbravam o produto através da dominação masculina frente à mulher. 

Ela trouxe uma música de Chico Buarque, chamada Umas e outras, para reflexão e análise. Link da música (com letra): https://www.youtube.com/watch?v=Q0P0I9Ejx9A 

Ao final da aula houve tempo para o joguinho de perguntas e respostas Kahoots (jogo online), valendo 0,5 ponto pela participação e um prêmio para o vencedor.

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Crime e gênero


Agora vamos falar do encontro de 03/12/2020, o qual teve participação de Luiz Felippe Bragança Petri,  Especialista em Direito penal e criminologia pelo Instituto de Criminologia e política criminal. É Bacharel em Direito pela FDV e também é advogado. A aula expositiva e dialógica teve como tema a "Abordagem contemporânea da criminologia crítica sobre gênero. Políticas públicas e jurídicas sobre crime e gênero no Brasil e no mundo atual". 

Os textos disponibilizados para leitura prévia foram: 
- Gênero, patriarcado e violência (Heleieth Saffioti);
- A questão criminal (Eugenio Zaffaroni);
- O sistema prisional brasileiro e a dignidade das pessoas transexuais, travestis e transgêneros: um estudo de caso do Habeas Corpus N} 497.226/RS (Emerson Mendes e Cristina Pazó);
- Recurso Especial Nº 154.857 DF (97.00812808-10)

Link para acesso aos textos:

Luiz Felippe trouxe assuntos ligados ao crime e à mulher, citando algumas épocas e evidenciando exemplos que caracterizavam o Estado Americano em relação a crimes, destacando como a Justiça criminal agia mediante a eles. Ele fez abordagens que envolvem as temáticas de crime, Estado, mulher, mulher negra, "sex offender" - o criminoso sexual , trazendo como base a autora Angela Davis. A turma teve acesso a relatos de situações que costumam ocorrer nas situações das temáticas citadas anteriormente, obtendo exemplos do Estado americano e percebendo seu modo de ver e agir juridicamente frente determinadas condutas ilícitas.

Logo após tivemos a participação de Emerson Mendes, Discente do curso de bacharelado em Direito pela UFSB. Emerson é Pós-graduando em Direito e processo penal pela Faculdade União das Américas (UniAmérica), Especialista em gênero e sexualidade na educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA - 2020), e Bacharel Interdisciplinar em Humanidades pela UFSB (2018).

Emerson trouxe em sua apresentação um pouco de seu trabalho de estudo relacionado à temática de transexuais no conjunto penal brasileiro, analisando como o Estado tutela as condutas delituosas dessa parte da população - LGBT.
Ocorreu também a presença do professor Fábio Bozza, da UFSB. Ele destacou a exposição feita pelos dois participantes do encontro e acrescentou importantes tópicos sobre essa população vulnerabilizada, que é a população LGBT.

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Gênero, consumo e identidade das mulheres


Partindo agora para as análises do encontro de 26/11/2020, o qual teve o tema Consumo e gênero: corpo e cirurgias plásticas na construção de identidade das mulheres brasileiras na sociedade de consumo. A aula expositiva e dialógica contou com a presença de Mariana Paiva Frizzera, Doutoranda em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, Mestranda em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, graduada em Direito pela FDV e também advogada.

Os textos disponibilizados para leitura prévia foram:

- Erotismo e beleza do corpo feminino objetificado: a publicidade de lingerie na construção das identidades das mulheres na história (Cristina Pazó e Mariana Frizzera);

- O corpo feminino como capital e o mercado da moda: Espaço de produção de vulnerabilidade e de identidades.


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1xgrK2OoKHPpl5jsVfyuTzWkGa_nVhGnm?usp=sharing


O termo "padrão de beleza" foi bastante debatido nesse encontro. A questão de ser feliz e estar bem apenas quando o corpo estiver "de acordo com o padrão exigido" pela sociedade foi tema de reflexão. Mariana trouxe algumas propagandas comerciais que reforçam esse padrão a ser seguido, esse padrão que é mostrado e que determina como o corpo ideal deve ser, de acordo com a cultura de consumo. A imagem da mulher sempre associada a consumo e beleza. O consumo é colocado como um pertencimento social.

Foi mostrado o trecho de uma entrevista no Programa Café filosófico, que discutia a importância do corpo e o significado do envelhecimento na cultura brasileira. O link para a entrevista completa está logo a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=Y1pKq4QfZN0


A seguir, Mariana mostrou dados interessantes sobre cirurgia plástica feminina e apresentou dados relativos à uma análise feita de um questionário sobre consumo e beleza. O questionário envolvia perguntas sobre beleza e estética, trazendo informações sobre a visão das mulheres sobre esses temas e como eles fazem parte do cotidiano delas.

Ao final da aula houve tempo para o joguinho de perguntas e respostas Kahoots (jogo online), valendo 0,5 ponto pela participação e um prêmio para o vencedor.

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A dominação masculina, o patriarcado e a apropriação Estatal de conflitos

 


O encontro de 19/11/2020 trouxe como tema "A dominação masculina, o patriarcado e a apropriação Estatal de conflitos:  contribuições da Justiça restaurativa aos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher". Tivemos como convidada Renata Bravo, Mestre em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, tem especialização em Direito penal e processo penal, é Assessora no Ministério Público e também dá aulas na Multivix.

Os textos disponibilizados para leitura prévia foram:

- Entre punições e alternativas: a justiça restaurativa como uma possibilidade ao enfrentamento da violência doméstica;

- A dominação masculina.


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1VBKpSnDp2NWaIiaHH0EEHHOykyHmZNoB?usp=sharing


Renata abordou com bastante ênfase a questão do patriarcado existente na sociedade, a influência dessa sociedade patriarcal nas atitudes, nos atos, nas situações que ocorrem no dia a dia e que evidenciam preconceito, além de destacar a inferioridade feminina baseada na dominação masculina. Trouxe tópicos muito importantes que envolvem a mulher e que deixam claro a violência constante que ela sofre. A violência contra a mulher - incluindo violência doméstica, o feminicídio, a exploração e a "força-tarefa" existente para que a mulher continue num estado de inferioridade e submissão.


Ao final da aula houve tempo para o joguinho de perguntas e respostas Kahoots (jogo online), valendo 0,5 ponto pela participação e um prêmio para o vencedor.

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HIV e infecções sexualmente transmissíveis

 

O encontro de 12/11/2020 trouxe a participação de Carlos Fernando Poltroniere Prata,  Mestrando em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, graduado em Direito na FDV e advogado. 

Os textos disponibilizados para leitura prévia foram: 

- Pesquisa de conhecimentos, atitudes e práticas na população brasileira (Ministério da Saúde);

- Transmissão consentida do vírus HIV. Análise acerca da responsabilidade penal do agente (Carlos Prata, Cristina Pazó e Daniel Duarte).


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1GQ38PdyDpU_6QOupEMQ0e6RDlCXy2QDT?usp=sharing


O convidado abordou a temática sexual, desmistificando tabus e esclarecendo dúvidas em relação à saúde sexual, à sexualidade e mostrou dados referentes à sua pesquisa sobre Direito à sexualidade. Carlos Fernando apresentou o histórico do comportamento sexual "desviante", passando pelas doenças dos 5Hs: homossexuais, hemofílicos, hiatianos, heroinôma e  hookers. 

Ele trouxe ainda a atuação do Estado mediante portadores de doenças sexualmente transmissíveis, além da aplicação de métodos de tratamento para casos em que ocorram relações sexuais sem proteção ou acidentes ocupacionais que deixem pessoas vulneráveis ao HIV. Alguns exemplos citados foram o PEP - Profilaxia Pós-exposição ao HIV e o PrEP - Profilaxia Pré-exposição.

O convidado falou ainda sobre Direitos reprodutivos de pessoas que convivem com o HIV; sobre o Direito à liberdade de orientação sexual; sobre transmissão consentida do vírus HIV; relação Direito penal e HIV.

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11/12/2020

Abordagens interdisciplinares de gênero

 


O encontro de 29/10/2020 trouxe o tema: Abordagens interdisciplinares de gênero: A contribuição da antropologia; e bolsa família e estereótipo de gênero. Dois textos foram disponibilizados para leitura prévia:

- Interfaces e deslocamentos: feminismos, direitos, sexualidades e antropologia (Lia Zanotta Machado);
- Bolsa família, autonomia feminina e equidade de gênero: O que indicam as pesquisas nacionais? (Letícia Bartholo, Luana Passos e Natália Fontoura).


Link para acesso aos textos:



A aula foi dividida em duas partes. Na 1ª parte a professora Cristina Pazó trouxe uma apresentação (figura acima) sobre o assunto Patriarcado, expondo a supremacia masculina dentro da família. A professora abordou alguns acontecimentos históricos, como a Primeira onda do feminismo, o Movimento sufragista no Brasil, a segunda e terceira ondas do feminismo, além de evidenciar dois conceitos de relação de gênero: o conceito "binário" e o "não-binário". No conceito binário citou que "os desequilíbrios de gênero se refletem nas leis, políticas e práticas sociais, assim como as identidades, atitudes e comportamentos das pessoas. Os atributos e papeis relacionados ao gênero não são determinados pelo sexo biológico. Eles são construídos histórica e socialmente e podem ser transformados." Já sobre o conceito "não-binário", a professora mencionou uma fala da autora Butler, que diz que "o corpo biológico tanto produz sexo e gênero, quanto é ele mesmo produzido pela saturação dessas categorias." 

Também foi exposto um pouco da Legislação no Brasil, ressaltando questões como patriarcado, divórcio, concubinato, através do Código Civil de 1916 e de leis como a Lei 4.121/1962 (Estatuto da mulher casada), a Lei 8.971/1994 (Lei do concubinato) e a Lei 6.515/1977 que traz o tema direito ao divórcio. No final da sua apresentação a professora Pazó trouxe a imagem do "biscoito sexual" (figura abaixo),  que auxilia didaticamente a pensar e entender as categorias sexuais.



A segunda parte da aula brindou toda a turma com as apresentações de colegas nossos da graduação. Primeiro houve uma aula expositiva e dialógica apresentada por Nicholas Lula Dias Ralile, Bacharel Interdisciplinar em Humanidades pela UFSB e graduando em Direito pela mesma Universidade. Nicholas abordou a contribuição da antropologia para a análise do tema gênero e sexo, trazendo um pouco da posição da antropologia feminista, a linguagem do Direito em relação às diferentes concepções de gênero e sexualidade, além de outros tópicos acerca de tais questões. 



Logo em seguida tivemos a apresentação de uma pesquisa realizada por Maria Thayná Severino de Souza e Tracy Cristiane Soares dos Santos, bacharelas interdisciplinar em humanidades pela UFSB e graduandas em Direito pela UFSB, orientadas pela professora Cristina Pazó. Tracy Cristiane fez a explanação do trabalho realizado, o qual abordou o tema: Bolsa família e o estereótipo de gênero. O trabalho trouxe uma "Análise à luz do programa bolsa família no município de Porto Seguro", mostrando resultados obtidos através de entrevistas feitas a algumas famílias dessa cidade.  

Ao final da aula houve tempo para o joguinho de perguntas e respostas Kahoots (jogo online), valendo 0,5 ponto pela participação e um prêmio para o vencedor.

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Feminismo negro

 


No segundo encontro, realizado em 22/10/2020, o tema foi: Feminismo negro - Epistemologias, ativismos e (re)existência das mulheres negras no Brasil. A turma teve a oportunidade de assistir uma aula expositiva e dialógica sobre o tema, apresentada pela professora e advogada Ceila Sales de Almeida. 

Três textos foram foram disponibilizados para leitura prévia:

- Feminismo negro:  A interconexão entre gênero e raça nos estudos acadêmicos no Brasil (Cristina Pazó e Ceila Almeida);

- Enegrecer o feminismo: A situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero (Sueli Carneiro);

- Racismo e sexismo na cultura brasileira (Lélia Gonzales).


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1zMOMVxsFsBynwG9hW4CNsM7xAUhNOHJ2?usp=sharing


Para o encontro de 29/10/2020 foi programada a realização de uma atividade programada, realizada através de questões colocadas no google forms. Ainda pra esse encontro foi disponibilizada uma entrevista feita com Djamila Ribeiro, ativista e mestre em filosofia política. O vídeo pode ser visualizado no Youtube através do link https://www.youtube.com/watch?v=0k1mh7N8Caw&ab_channel=NexoJornal


Djamila fala sobre lugar de fala, enfatiza como o racismo - e o modo de se debater o racismo - é visto de forma diferente quando os lugares de fala são distintos. Por exemplo, o racismo visto através do lugar de fala do branco não é o mesmo daquele que é analisado a partir do lugar de fala do negro. A ativista traz ainda a ideia de que é preciso debater o racismo tendo a consciência de que em todos os ambientes ele está presente. Ela enfatiza que no Brasil parece que o racismo é um crime perfeito, e que quando uma pessoa luta para mudar um cenário onde o racismo estrutural está atuando, a impressão que se tem é que essa pessoa passa a ser vista como algoz, como inimiga - como se ela estivesse errada.
O vídeo traz em poucos minutos diversas reflexões interessantes sobre o racismo e toda essa abordagem de questão racial, também a desigualdade e o lugar de fala da população negra. Djamila relata várias questões raciais existentes em nosso cotidiano, as quais escancaram um racismo bastante enraizado e impregnado na sociedade.

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10/12/2020

Diário de bordo


Saudações!

Novamente retorno com as postagens. Agora, as atualizações se voltam para conteúdos referentes a temas abordados no componente curricular "Gênero, direitos reprodutivos e direitos sexuais no Brasil atual". Esse componente faz parte do curso de Direito da Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB. O objetivo aqui é criar um diário de bordo que trará, ao longo das postagens, um pouco do que foi exposto em cada um dos encontros no decorrer do quadrimestre.  
A cada semana, um novo tema foi objeto de estudos e debates através de vídeos, textos, apresentações e jogos interativos com questões relacionadas ao tema da aula. Durante todo o quadrimestre a professora Cristina Pazó trouxe palestrantes convidados por ela, os quais enriqueceram os encontros com muita didática através de excelentes palestras. 

No primeiro encontro, para a aula de abertura em 15/10/2020, houve a apresentação da docente, dos discentes e do monitor, além da discussão do PEA (Plano de Ensino-aprendizagem) elaborado para o componente curricular (CC). O tema principal do encontro foi: Gênero. Três textos foram disponibilizados para leitura prévia, sendo dois deles da professora Guacira Lopes Louro. O outro texto foi da historiadora Joan Scott. Também foi exibido o documentário Fronteiras do Gênero. Por fim, foi realizada uma atividade diagnóstica de conceitos estruturantes de gênero.


Os textos disponibilizados para a aula foram:

- Gênero, sexualidade e educação (Guacira Lopes Louro);
- Gênero e sexualidade: Pedagogias contemporâneas (Guacira Lopes Louro);
- Gênero: Uma categoria útil de análise histórica (Joan Scott).

Link para acesso aos textos:

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18/08/2018

Analisando um território

A análise de territórios é uma atividade interessante. Nos leva à reflexão sobre modos de vida e relações de interação e de conflito entre as pessoas. Nos faz ver que diversos fatores surgem quando passamos a nos atentar ao que se passa ao nosso redor. É o olhar etnográfico de determinado local, determinado espaço, onde podemos observar as relações sociais entre os indivíduos. Na foto acima vemos o parquinho localizando dentro da Praça Otávio Mangabeira, em Itabuna, também conhecida como Praça Camacan. É uma praça antiga, bastante conhecida e bem movimentada, localizada bem no centro da cidade. 
A Praça Camacan agrega diversos espaços de entretenimento e comércio. Um desses espaços é o parquinho, onde sua delimitação espacial é demarcada por um alambrado que envolve todo local destinado às crianças, deixando claro que do alambrado pra dentro é o espaço de diversão dos menores.
Um dos indicativos de marcação de território está na placa fixada na entrada do parquinho (foto ao lado direito), onde se deixa claro que alí é um local onde a diversão é proibida aos adultos, sendo um privilégio das crianças. Dentro deste território, um olhar etnográfico faz surgir diversos dados e informações que por vezes passam despercebidos ao olhos de muitos. O local, onde se acomodam estranhos entre estranhos, apresenta relações de interação, ainda que de forma momentânea ou em um curto espaço de tempo. E, apesar de ser um espaço para diversão, há também momentos em que há o conflito, há a relação dominante-dominado, do poder do mais forte sobre o mais fraco. Tudo isso se dá dentro de um território que, dentro da cidade, funciona como uma rede de interações, onde todos chegam com um desejo e um laço comum: a diversão.

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26/07/2018

Um mundo de muros





A aula do dia 19/07/18 trouxe a oportunidade da realização de debates em torno do Especial da TV Folha, denominado UM MUNDO DE MUROS, onde diversos vídeos trazem a questão da construção de muros para separar nações. Num desses vídeos ocorre a exibição da situação existente na fronteira entre o Quênia e a Somália. O vídeo relata a situação de imigrantes que fogem da Somália rumo ao Quênia. A seca e a dificuldade de se ter uma vida digna num país falido e arrasado fazem com que a população da Somália busque no país vizinho um fio de esperança. Por outro lado, o Quênia se vê preocupado com a constante entrada de imigrantes em seu território. Então surge a ideia de se criar uma barreira (uma cerca) na fronteira entre os dois países, com o intuito de impedir que o Quênia continue recebendo imigrantes. Um dos argumentos relatados para respaldar tal decisão é de que terroristas do grupo Al Shabaab - ligado ao grupo Al Qaeda - estariam se infiltrando nos campos de refugiados e arquitetando ataques no território do Quênia. 
A partir do vídeo, foi aberto o momento para debate em sala de aula, onde os alunos tiveram que expor fatores que justificassem a criação do muro, bem como fatores que condenassem a barreira. Embora cada vídeo evidencie a peculiaridade de cada região e a contextualização de cada problema em particular, todos eles relatam semelhança entre si que pode ser resumida através de uma palavra-chave: SEPARAÇÃO. A separação de povos vizinhos (sobretudo com os muros evidenciados nos vídeos) nem sempre vem acompanhada de justificativas plausíveis nem de fatores visíveis, existindo em muitos casos razões ocultas (dos Estados) que acabam prevalecendo frente à defesa da criação de muros (barreiras) nas fronteiras. Fatores econômicos, temas preconceituosos, medo do terrorismo, são alguns dos temas que permeiam tal discussão. É fato que fronteiras desprotegidas são um campo livre para a entrada de drogas, contrabando, terrotistas, etc.. Assim como a criação de muros com intuito de separação entre povos pode esconder quesitos que vão além da proteção de um território contra a ação de bandidos. Sem dúvida trata-se de um tema polêmico, o qual encontrará tanto simpatizantes quanto indivíduos contrários à criação de muros.

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18/07/2018

Cidades em conflito e tipologia de território



O texto de Feltran, denominado "Conflito urbano e gramáticas de mediação", expõe questões sobre o conflito social na vida urbana. Pontos chaves do texto - como o capitalismo dominante e a concentração de riquezas- ajudam a moldar o entendimento sobre conflitos urbanos, tais como violência urbana, mundo do crime (força do PCC como exemplo) e questões que versam sobre segurança pública. A mobilidade campo-cidade, feita pela população rural em busca de melhoria de vida não foi a solução, assim como a aposta brasileira no trabalho assalariado (até os anos 80). O que se viu foi um aumento da população urbana sem o acompanhamento ideal do Estado no sentido de se oferecer um cenário com infraestrutura básica, com segurança, urbanização, acesso a serviços básicos de saúde, assim como moradia digna.
Já o texto de Fernandes, "Sobre a tipologia de territórios", cita o território como espaço de governança, onde surge a subalternidade dos territórios, expondos dominantes e dominados. Daí aparecem as conflitualidades derivadas do efeito da dominação, expondo as diferenças entre classes sociais. Em comparação com o texto de Feltran, percebe-se que ambos os textos mantêm como ponto importante nesse contexto os territórios de pobreza, fazendo uma correlação entre as ideias e as questões principais que englobam o cenário dos conflitos urbanos.  
O fotógrafo Johnny Miller tentou mostrar a desigualdade social em zonas urbanas através de fotos registradas através de um drone. Vale a pena conferir.

Rudney Guimarães

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14/07/2018

Fundamentando nossas vidas

Resultado de imagem para interação social
Baseada no texto de Baumann, no capítulo entitulado "Observação e sustentação de nossas vidas" (do livro Aprendendo a pensar com a sociologia), a aula do dia 28/06/18 debateu temas como interação, distância social, lugares, identidades, dentre outras citações que ajudaram a analisar um pouco sobre a vida e os relacionamentos. Sobre os relacionamentos, os níveis de encontro são base para determinar as pessoas que nós conhecemos e os laços que as mantêm ligadas a nós, estabelecendo uma ordem de interação. É um mode de ver a relação entre NÓS e ELES. Os LUGARES abragem conteúdos funcionais, propósitos, mas também não significam necessariamente um ambiente de interesse nas pessoas. Eles podem destacar ainda mais o quesito DISTÂNCIA SOCIAL, com o continuum e sua linha imaginária, muitas vezes gerando fronteiras (negativas ou positivas). Em sala, uma das frases do texto e expostas para o debate foi a seguinte: "O território de espaços urbanos compartilhados é dividido em áreas nas quais é mais provável encontrar um tipo de pessoa do que outros". A frase mostra bem a questão da divisão feita por LUGARES, onde as fronteiras - mesmo que invisíveis - estão presentes, separando uns de outros, seja pela questão social, racial. 
Por fim, dois vídeos foram exibidos em sala. No primeiro vídeo é colocado em pauta o relato de três imigrantes angolanos, onde eles expõe a visão de cada um - como refugiados - em relação ao tratamento dado a eles no Brasil e de como é difícil ser estrangeiro no país. O segundo vídeo, entitulado como "1 negro em 100"  mostra o debate sobre cotas raciais feito dentro de uma sala de aula da USP, quando então ocorre uma discussão por conta de que alunos e professor não concordavam que tal debate fosse feito em horário de aula.

Rudney Guimarães

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Onde está o crédito das ciências humanas?

Há um questionamento sobre a credibilidade das ciências humanas, ou sendo mais enfático, do seu descrédito frente à sociedade acadêmica e às demais ciências. Tal cenário chega a provocar um mal-estar dentro do próprio campo das ciências humanas, pois, internamente existe a certeza da importância desta ciência para a sociedade. Entretanto, o descrédito chega a um patamar tão negativo que áreas como a psicologia e a economia cogitam a saída do campo das humanidades. Mas por que tamanha falta de credibilidade? Na verdade não tem a ver com falta de importância do campo das humanidades. Muito pelo contrário! Trata-se de uma ciência que tem o homem como tema, como objeto de pesquisa, que carrega a responsabilidade de estudar a sociedade e as mediações entre os indivíduos. Os fatores econômicos surgem como elementos importantes nesse cenário de decepção. Afinal, trata-se de um campo (o das humanas) que não traz retorno financeiro. Sendo assim, quem irá assumir um investimento para a realização de pesquisa do campo das ciências humanas? Isso também ajuda a explicar o panaroma que mostra o seu descrédito, mas não tira a sua importância na sociedade civil e acadêmica.

Rudney Guimarães

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Senso comum X senso crítico

A atitude científica vai contra o senso comum, o qual está largamente familiarizado com a população de uma forma geral - e vice-versa. Isso quer dizer que se de um lado há a certeza cotidiana, do outro há o conhecimento científico. É o senso comum versus o senso crítico (kritikus). A ciência desconfia, e, a partir daí, busca respostas através de um campo objetivo, quantitativo e homogêneo, ultrapassando os problemas e obstáculos que surgem pra ela nesse processo. A sua construção da verdade se dá através de métodos, por meio de teorias formuladadas e delimitação e definição de fatos - é a teoria científica. 
Já o senso comum se baseia em subjetividade. É criado através de hábitos familiares, preconceitos e tradições. Quantos não passaram anos tendo a crença de que manga com leite faz mal?
-se um imaginário popular através de uma afirmação puramente criada pelo povo em algum momento da história. Assim como outras tantas afirmações que não condizem com a verdade, ou, pelo menos, abre brecha para questionamentos a respeito da veracidade das mesmas. Consideremos então que o senso comum se dá pela fé, enquanto que o conhecimento científico se dá pela razão.
Segue um vídeo exibido em sala de aula que fala sobre conhecimento científico X senso comum.

Rudney Guimarães

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08/07/2018

A importância de um blog

Por que criar um blog?
A criação de um blog tem um sentido próprio e bem diferente de uma rede social qualquer, pois vai além da ideia de se ter um meio de se relacionar com as pessoas. O blog dá a possibilidade de expor textos que debatem fatos, estudos - e tudo mais que se desejar -, dando opotunidade ao leitor que o visita. Os blogs dão a possibilidade de acesso a temas com as mais diversas temáticas, sejam no campo acadêmico ou não, oportunizando acesso a boas postagens, as quais servem como combustível para atiçar o intelecto em busca de uma reflexão sobre determinado tema. Além do mais, um blog pode servir também de diário de bordo, criando a história de um caminho percorrido. E, o mais importante, ele tem também a característica de possibilitar o acompanhamento e análise de trabalhos  expostos por colegas, professores, anônimos, etc... Tudo isso objetivando o compartilhamento do conhecimento, dando "a deixa" para o surgimento de reflexões, opiniões e debates por parte dos leitores - fugindo um pouco do que tradicionalmente se vê em outros tipos de redes sociais (como as que focam mais no entretenimento).

Rudney Guimarães

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O perigo de uma história única


Na aula de abertura do CC Campo das humanidades - saberes e práticas, em 07/06/18, quando houve a apresentação do componente e do plano de curso do mesmo, ocorreu também a exibição de um vídeo da escritora nigeriana Chimamanda Adichie (link do vídeo). No vídeo, entitulado de "O perigo de uma história única", a escritora (que se apresenta como uma contadora de histórias) expõe um discurso no qual ela relata, através de sua experiência de vida, como se dá a criação de uma história única, e de como isso é perigoso e pode criar uma imagem errônea de um povo, de uma nação. Chimamanda relata sua identificação com os livros que lia na infância, e deixa evidente que sua formação se deu através de estereótipos que ela tinha acesso. Então suas próprias histórias continham os mesmos personagens estereotipados que ela estava acostumada a ver/ler. A partir do momento em que ela teve contato com literatura de seu país, ela percebeu que sua própria história também poderia ser contada e que os personagens do local onde vivia teriam espaço nas literaturas, mostrando a todos a verdadeira imagem de seu povo. A superficialidade se torna presente neste panorama em que apenas um tipo de história predomina - a respeito de uma população. Os estereótipos incompletos são pontos extremamente negativos, pois eles ajudam a criar uma falsa história. A importância da história acaba tendo um abalo ocasionado pela "falsa história" contada. Isso ocorre não apenas com Chimamanda. Os estereótipos estão em todo lugar, sendo criados a todo instante, determinando inverdades e maquiando realidades.

Rudney Guimarães

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14/06/2018

UFSB


Retomando o blog que há algum tempo está sem atualização. 
Este tópico vem indicar o início de algumas postagens referentes aos conteúdos apresentados no componente curricular CAMPO DAS HUMANIDADES: SABERES E PRÁTICAS. O componente faz parte da grade curricular do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades.

Campus Jorge Amado (CJA)
Universidade Federal do Sul da Bahia
Itabuna-BA



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23/08/2009

Tecnologia traz...versatilidade


A cada dia que passa a tecnologia nos traz algo inovador e interessante. É verdade que estamos cientes de que podemos ser surpreendidos por ela - a tecnologia - a qualquer momento, mas um novo aparato tecnológico sempre nos faz refletir e pensar como as coisas mudam de forma cada vez mais rápida. Uma novidade que já se faz presente na sociedade são os 'livros que falam'. São obras literárias que acabaram ganhando versões em áudio, chamados audiolivros.

Apesar de ser algo novo, o Ibope informa que cerca de 3 milhões de pessoas já experimentaram essa nova forma de apreciar uma obra literária. Só existem 500 obras em português, as quais algumas são narradas por atores famosos como Antônio Fagundes e Cristiana Oliveira. Algumas editoras de audiolivros usam a estratégia de mudar o locutor a cada capítulo para prender a atenção do ouvinte. Em Iracema, de José de Alencar, foram colocados trilhas sonoras.

As obras em áudio possuem um valor bem abaixo dos livros - um ponto positivo - e estão disponíveis em diversos sites. O interessado compra o download e recebe o audiolivro por email após confirmação de pagamento. Existem obras que podem ser baixados de graça, como 'A igreja do diabo', de Machado de Assis (disponível em universidadefalada.com.br).

A principal justificativa para o surgimento dessa novidade é a adequação à correria do dia-a-dia das pessoas. A falta de tempo sempre é um argumento para a ausência de leitura do cotidiano das pessoas. Apostando nesse novo estilo - sem dúvida versátil - é que os audiolivros chegam como uma nova forma de 'leitura'. Mas o prazer de se ouvir uma obra literária se equipara ao de ler o livro? Mais importante que essa pergunta é saber se a atenção dedica ao áudio será a atenção necessária para se entender a obra. Como a inovação procura beneficiar os apressadinhos ou pessoas sem tempo, fica aí a dúvida se o entendimento seria o mesmo se ao invés de alguém andar/dirigir/correr ouvindo a obra simplesmente sentasse e dedicasse um tempo à leitura. Sabe-se que é necessário concentração e atenção para exercer uma leitura.

De qualquer forma, trata-se de algo bastante interessante e que sem dúvida serve como um atrativo para as pessoas que gostam de literatura, tanto os que não tempo como os que dispõem dele. Afinal, toda e qualquer forma de comunicação deve ser recebida ao primeiro instante de forma apreciativa, pra daí então, servirem ou não para o consumo de cada indivíduo. Fica aí a dica.

Rudney Guimarães

14/08/2009

Tiroteio


Um assunto que gerou grande repercussão esta semana foi a briga entre a Globo e a Record. Talvez nem todo mundo saiba, mas essa briga não está se iniciando agora. A troca de farpas entre as duas emissoras já vem acontecendo há alguns anos. Agora a briga se acirrou novamente e o bombardeio de ofensas e acusações estão indo de um lado a outro numa tentativa de denegrirem a imagem da emissora rival diante da população.

Em 2007 a revista Veja publicou em sua matéria de capa a briga entre as duas emissoras de TV. Edir Macedo deu entrevista pra revista, e questionado sobre um possível emparelhamento da Record com a Globo, ele disse: "Não vamos só emparelhar. Vamos passar a Globo. Esse dia não está longe. A Globo tem medo." Num discurso agrassivo, Edir Macedo se disse perseguido pela emissora Global, sem citá-la nominalmente: "Fomos injustiçados por muitos anos por um grupo de comunicação que tinha e mantém o monopólio da notícia no Brasil. Daí nosso desejo de dar fim a esse monopólio".

A Globo acusa a Rede Record de ser beneficiada pelo dízimo dado pelos fiéis da Igreja Universal, uma vez que entidades religiosas são isentas de taxas tributárias. Mas o dinheiro recebido na igreja não pode ser investido em nada que gere lucro, como uma emissora de TV. Em nota, a Globo disse:
"Esse ataque leviano não chega a ser surpreendente: é de se esperar que um grupo que lucra pela manipulação da fé religiosa queira também manipular a opinição pública." Além disso, nos últimos dias foram exibidas várias reportagens acusando membros da Igreja Universal de lavagem de dinheiro e muitas outras transações ilegais envolvendo grandes valores.

Já a Rede Record respondeu alegando que nenhuma acusação tem veracidade. A emissora aproveitou para também atingir a Globo. Com imagens de arquivo, a Record questionou o crescimento da Globo com acusações de desvio de dinheiro público. Logo depois a Record questionou o tempo em que a Globo dedicou em seus telejornais pra atacá-la e que a mesma, desrespeitou a fé religiosa das pessoas ao entrar na Igreja Universal com uma câmera escondida pra filmar as contribuições dos religiosos da igreja.

Em relação ao constante falatório em torno da Igreja Universal, cabe ressaltar que os fatos sobre ela citados não generalizam englobando demais igrejas existentes no país. Inclusive, membros religiosos de outras igrejas já criticaram a Igreja Universal. O pastor Silas Malafaia, da Igreja Assembléia de Deus se pronunciou em respeito à Igreja Universal e a sua relação com a emissora Record, criticando o que ele citou de "guerra de TV's". Malafaia desabafou dizendo: "Como é que uma igreja investe milhões numa TV só pra ganhar audiência? Todo tipo de imoralidade numa TV bancada com dinheiro de oferta e de dízimo?" E continuou sua crítica dizendo que eles estão perdendo o foco.

Outro capítulo que faz parte da constante briga entre as duas emissoras é a constante suspeita de espionagem. A Globo insiste em dizer que a Record tenta copiar a emissora 'descaradamente'. Em 2008 a Globo descobriu um espião que passava informações à Record sobre a área técnica, figurino e cenário da emissora global. Já neste ano, a Globo acusou a Record de piratear imagens da Fórmula 1, escondendo a sua marca d'agua (Globo) colocando a logo da emissora (Record) por cima.

Mas qual o motivo das brigas entre Globo e Record? É fato que a Record anda incomodando a Globo, analisando o fator audiência. Diferentemente do SBT, a Record sonha em destronar a toda poderosa Rede Globo, e vem investindo pesado pra isso. A Record, inclusive, já deu uma rasteira na Globo, conseguindo os direitos de transmitir os jogos olímpicos de 2012. O desejo de Edir Macedo é terminar (como ele mesmo diz) com o monopólio da informação exercido pela Globo.

Sem dúvida o monopólio da informação é ruim, é algo que aliena, influencia, forma opinião e não dá brecha pra questionamentos, interpretações e tampouco traz ao público as informações como elas deveriam ser veiculadas. Nesse tiroteio todo, o público se vê diante das agressões munidas de denúncias entre a Globo e Record. Não estou aqui pra defender e/ou - também - acusar uma ou outra emissora. Aqui apenas se faz presente um resumo de tudo que foi veiculado pela mídia até agora. Cabe ao Ministério Público apurar todas as denúncias pra constatar a veracidade de cada uma delas. E que ao final, que sejam punidos os que de fato merecerem e, principalmente, que o povo brasileiro tenha conhecimento da forma mais límpida e transparente possível, da verdade dos fatos, de quem tem ou não razão, de quem agiu ou não de má fé, e de quem fez e faz a população de boba através do poder da comunicação.

Rudney Guimarães


30/06/2009

Uma grata surpresa



Muito se questiona sobre a qualidade da programação televisiva brasileira. É verdade que existem muitos programas onde a qualidade é um conteúdo inexistente. Paralelo a isso, vez em quando surgem alguns programas que acabam trazendo de forma interessante e inteligente, um bom conteúdo ao telespectador. É o caso do programa da TV Bandeirantes, CQC - custe o que custar. Baseado numa versão argentina, o CQC estreou em março de 2008 e desde então vem obtendo bons resultados no que diz respeito à audiência, tendo boa receptividade por parte dos telespectadores.

Comandando por Marcelo Tas, o CQC vez conseguindo bons níveis de audiência, graças à irreverência dos 7 homens vestidos de terno preto. Além de Tas, fazem parte da equipe Rafinha Bastos, Marco Luque, Danilo Gentili, Felipe Andreoli, Rafael Cortez e Oscar Filho. O programa aborda os fatos mais relevantes da semana, fazendo humor e crítica ao mesmo tempo. Um tema bastante citado no programa é a política. A forma com que a turma do CQC trata o assunto acaba atraindo até pessoas que não gostam do cenário político.

O CQC aplica uma fórmula que vem fazendo sucesso. A união entre humor e crítica acaba sendo um atrativo. O talento dos apresentadores faz com que eles consigam fazer boas matérias, com um humor ácido, divertido e inteligente. Porém, em certos momentos ocorrem comentários que acabam provocando ira em certas pessoas. O programa já foi jurado de ser levado à justiça por diversas pessoas. Só pra citar, a atriz de filme adulto, Pamela Butt e o grupo Sexy Dolls Brasil já manifestaram desapontamento com o CQC, alegando terem sido desrespeitadas com termo impróprio, tendo em vista que elas são atrizes pornôs. Isso demonstra que em meio à diversão e entretenimento, podem ocorrer deslizes que resultam em consequências indesejáveis.

Constante alvo do CQC, os políticos vêm sofrendo com as investidas dos homens de preto. Em visitas feitas ao Planalto em Brasília, a turma do CQC resolve entrevistar os políticos, e acabam fazendo perguntas sobre diversos temas como política, economia e negócios da atualidade. Ou seja, coisas que eles, os políticos, deveriam estar informados. Aí o telespectador começa a ver como muita gente que está por lá não sabe de absolutamente nada que ocorre no mundo nos tempos atuais. E pior, alguns políticos demonstram total falta de conhecimento de leis que eles próprios criaram e aprovaram.

O CQC está dando tão certo, que a Rede Bandeirante planeja licenciar produtos com a marca do programa. No início não havia patrocínio, e hoje o programa já conta com várias empresas, que aparecem em suas vinhetas. Sem dúvida, o programa CQC é uma grata surpresa nos últimos tempos na televisão brasileira. Resta saber se seu sucesso se manterá por muto tempo, e/ou se seu tipo de humor se tornará ultrapassado. Cabe ao CQC não perder o ritmo, manter boas entrevistas, e aplicar com inteligência o humor característico de Marcelo Tas e Cia.


Rudney Guimarães

12/06/2009

Mais tempo no ar


O apresentador Fausto Silva acertou renovação de contrato com a Rede Globo por mais 8 anos, prolongando até 2017 a permanência do seu programa Domingão do Faustão. O programa dominical é o maior faturamento da Globo. O salário do apresentador está na casa dos 5 milhões, e ele ainda tem percentual sobre o faturamento do programa.

No mês de março, o Domingão completou 20 anos no ar. Ao longos de sua trajetória, o programa obteve altos e baixos, mas a sua fórmula vem dando certo até hoje. Em entrevista no mês de abril, Faustão falou sobre o segredo de manter-se por tanto tempo no ar. "Não é fácil. Para quem quer boa informação e não tem nenhum tipo de preconceito, este é um bom negócio. É preciso abranger todas as classes e entreter o público do domingo, que é um dia chato. O segredo é renovação constante e satisfação permanente", disse o apresentador.

Ao analisar a declaração de Faustão, há coerência entre o que ele disse e o que se passa em seu programa? Sabe-se que não se trata de um programa de informação. O Domingão é um programa que procura entreter o telespectador, o qual optou em ficar em casa no domingo. O observador mais crítico, ao assistir o programa, poderá contestá-lo, achar que o mesmo não acrescenta em nada ao intelecto daquele que o assiste. Então por qual(is) motivo(s) Faustão consegue manter seu programa até hoje no ar?

Um dos motivos já foi citado acima: o faturamento que a Globo consegue com o Domingão. Outros motivos poderão ser buscandos nos seus quadros. Como a emissora investe pesado na dramaturgia, o programa do Faustão exibe famosos em seus quadros. Outra tática adotada pelo Domingão é receber artistas para falarem de seus personagens nas novelas em que atuam. Isso de certa forma já atrai a audiência que até então, seria apenas da novela. Talvez no sentido psicológico esteja uma possível explicação para o fato de se obter sucesso, mesmo não tendo quadros elogiados pelos críticos. O fato de ser um programa no dia de domingo, pode se aliar ao relaxamento das pessoas nesse dia. Por se tratar de um dia de descanso, muitas pessoas tentam 'aliviar' a mente vendo TV, e talvez não suportariam ver algo extremamente sério, importante, pedagógico numa tarde de domingo. Mais fácil ver algo que possam lhes tirar ao menos um sorriso. Isso pode ser uma explicação, mas não uma justificativa.

De certo que há coisas fúteis na TV, embora essas coisas acabem obtendo resultados positivos na busca de audiência. E é exatamente isso que a televisão quer: audiência = retorno financeiro. A qualidade dos programas vem em segundo, terceiro, talvez quarto plano. O fato é que alguns quadros do Domingão acabam atraindo os telespectadores. Cabe ressaltar que com qualidade ou não, o Faustão está sempre lançando quadros novos, envolvendo artistas conhecidos, e até pessoas que tentam chegar ao patamar de famoso. Desta forma, odiado ou amado, Faustão vai se firmando de domigo em domingo na programação Global.

Rudney Guimarães

18/05/2009

Golpe baixo?


No dia 27 de fevereiro, a TV Diário, emissora Cearense que faz parte da TV Verdes Mares, que é afiliada à Rede Globo de televisão, teve seu sinal na antena parabólica cortado. Os nordestinos residentes em todo o território nacional sofreram um duro golpe com a retirada da TV Diário do ar. O motivo foi o incômodo que a rede Globo sentiu após ver a emissora nordestina atingir boa audiência.

Uma justificativa para a retirada do sinal foi o argumento de que a TV Diário trata-se de uma emissora comunitária, e que não estaria então, regularizada a ponto de ser exibida em nível nacional. Porém, segundo diversos jornais nordestinos, o que houve foi uma imposição de poder da Rede Globo. Incomodada com o sucesso da TV Diário, que estava batendo a audiência global em diversos horários, a Globo pressionou e retirou o sinal via satélite da emissora Cearense.

Se o argumento de que a perda de audiência foi mesmo o motivo para a decisão tomada pela Globo, fica claro e evidente a volta da CENSURA, dessa vez respaldada pelo poder que a Globo possui. Tá certo que a TV Diário pertence à uma rede afiliada da Globo, mas seria essa uma decisão justa a ser tomada? Não foi (e não é nenhuma surpresa) levanda em conta a opinião da população que usufruía do canal cearense. O telespectador tem o direito de fazer o zapping quando está de posse do controle de TV. E consequentemete tem o direito também de parar no canal que desejar.

Não cabe aqui ressaltar a qualidade - ou a falta dela - da programação da TV Diário. Mas sim o fato de que trata-se de uma emissora que une toda uma região. Nordestinos residentes em toda a parte do país, em especial na Região Sudeste, viam na TV Diário uma forma de matar a saudade de suas origens. Presenciavam aquilo que é familiar, que atendia as suas vontades, seus anseios, através das peculiaridades do seu povo, tão presente na programação da emissora. Em diversos programas, os apresentadores mantinham o sotaque regional, aproximando-se mais do seu público, os nordestinos (em especial os Cearences).

Contudo, numa briga de audiência, o que seria óbvio numa provável decisão a ser tomada por qualquer emissora? Melhorar sua programação. A Rede Globo poderia então, colocar no(s) horário(s) em que supostamente estava perdendo audiência, programas capazes de reverter o quadro negativo. Seria o momento de rever a linha de sua programação e proporcionar pros seus telespectadores, algo que lhe trouxesse de volta aquilo que lhe interessa. Porém, mais importante que isso, seria uma programação que aliasse educação, cultura e entretenimento, resultando numa programação digamos, sadia, que acrescente algo ao intelecto de quem está recebendo a mensagem.

Vale lembrar que a TV Diário não possui novelas em sua programação. O trunfo da emissora trata-se justamente em mostrar as peculiaridades de sua região, de seu povo. Com uma programação capaz de educar/acrescentar, ou não, o fato é que a TV Diário servia de integração para um povo afastado geograficamente e que via na emissora, uma forma de ficar mais perto das suas culturas, suas raízes.

Agora, graças à decisão abusiva da Globo, a TV Diário é uma emissora local, tendo seu sinal restrito à area regional de captação, que abrange algumas cidades do Ceará. E ao que parece, a TV não voltará a ser exibida em todo o Brasil. Lamentável para os nordestinos.

Se a TV Diário não tivesse tendo bons níveis de audiência, a Globo teria tomado tal atitude?

Rudney Guimarães

07/05/2009

Espetacularização. E exagerada!


Na TV a espetacularização é uma arma para se obter audiência. Diversos programas apelam para este artifício buscando atrair o público. Tais programas geralmente são de baixa qualidade, e que paralelamente possuem um enorme poder de persuasão. Seguindo essa linha, o programa Na mira, da TV Aratu, afiliada do SBT, é um dos que adotam esse tipo de linguagem que possue boa audiência.

No mês passado, diversas organizações sociais de Salvador fizeram algumas reivindicações. Em pauta, o pedido de que fosse tirado do ar o programa Na mira. O motivo alegado foi que o programa estava desrespeitando os direitos e garantias fundamentais da pessoa humana. Porém, antes que o programa fosse retirado temporariamente do ar, os diretores da TV Aratu foram até o Ministério Público e pediram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). E conseguiram, o que fez com que o programa não tivesse sua veiculação proibida, desde que se adequasse aos princípios e exigências costantes na Constituição Brasileira.

Sabe-se que uma grande massa receptiva, não tem a capacidade necessária para fazer uma análise crítica daquilo que veem na TV. A maioria alienada, recebe tudo sem ao menos perceber direito a verdadeira mensagem que está sendo transmitida pra ela. Mas claro que existem as exceções, como neste caso relatado acima. Os autores das reivindicações acusam o programa de condenar as pessoas de forma antecipa, principalmente os negros. Aliás, o formato do programa acaba induzindo a opinião pública a ter essa conclusão. De que os indivíduos mostrados nas reportagens são culpados até provarem o contrário, numa inversão do que realmente a constituição aborda e define.

A maneira como diversos programas são produzidos, visa a busca incessante de audiência. Quanto maior o espetáculo, melhor, mais audiência. Pouco se absorve de positivo, que estimule o raciocínio, que traga além da informação, uma boa fonte que possibilite um acréscimo ao intelecto de uma pessoa. Há uma carência de cidadãos que saibam analisar e criticar a mídia. Mas os que sabem fazer essa análise, devem lutar pra que as coisas mudem. Só assim irão surgir situações como essa que envolveu o programa 'Na mira' e consequentemente isso ajudará pra que a veiculação de algum programa de TV seja coerente no que diz respeito ao horário adequado para se mostrar algo. Além da questão do formato adotado nas exibições de determinado programa, bem como o seu conteúdo.

Rudney Guimarães

22/04/2009

Pra quê serve uma tomada?



Em meio a tantas novidades tecnológicas que aparecem diante de nossos olhos no decorrer dos dias, eis que surge mais uma novidade. Na busca pela popularização da internet banda larga, a Agência nacional de Telecomunicações, a ANATEL, autorizou o acesso à internet por meio de rede elétrica. A 'internet pela tomada' já vem sendo testada em São Paulo desde 2007 e agora aparece como o mais novo meio de acesso à grande rede via banda larga.

O novo sistema é chamado de Broadband Powerline (BPL), e permitirá o acesso à internet através de um modem especial, que será colocado em qualquer tomada dentro de casa. A conexão se dará através de um cabo de fibra ótica na rede elétrica. Para que as demais conexões de energia dentro da casa não interfiram na conexão (como ao ligar um liquidificador), a ANATEL exigiu em nota, a obrigatoriedade de filtros, que são capazes de atenuar as radiações indesejadas.

Sem dúvida, essa nova tecnologia chega para beneficiar a maior parte da população brasileira, tendo em vista que aproximadamente 95% dos lares no Brasil possuem rede elétrica. Isso poderá beneficiar principalmente os locais mais distantes, onde as redes telefônicas ainda não chegam com certa intensidade, e por isso há uma certa dificuldade em se disponibilizar internet. Trata-se de um grande passo para que o acesso à internet banda larga seja cada vez maior.

O outro lado da inclusão

Essa crescente mudança tecnológica, acompanhada de inclusão digital, faz com que os indivíduos mais atentos percebam algumas coisas. Com um número cada vez maior de pessoas - principalmente adolescentes e jovens - acessando a internet, nota-se também outro fator bem mais importante. Quem acessa espaços públicos virtuais, percebe em comentários postados por internautas, diversos erros de escrita. Isso faz pensar o seguinte: a inclusão digital (por meio das novas tecnologias) está à frente da educação no quesito prioridade? O ritmo das novas tecnologias está bem mais avançado que o ritmo dado à educação? Estariam os jovens e adolescentes preparados para fazer uso das novas tecnologias?

Pois bem. Nessas horas em que somos agraciados pela tecnologia, ao mesmo tempo vemos que o Brasil tem muito a melhorar, melhorar na educação. Enquanto a banda larga vai rompendo fronteiras e chegando cada vez mais longe, nos deparamos com notícias em telejornais mostrando alunos que andam quilômetros a pé para estudar. É notório o fato do Brasil ser um país de contradições, onde algumas coisas desagradáveis são encobertas por outras mais agradáveis.

O texto aqui em destaque não está criticando a criação da internet via energia elétrica. Trata-se de uma grande notícia, e sem dúvida irá beneficiar muita gente. Mas deve-se olhar o fato de que as pessoas que irão ter acesso à intenet - em alguma parcela - não têm uma formação escolar digna de quem está particpando de uma comunicação coletiva. Ou seja, é como se uma pessoa estivesse pulando etapas. Pois para saber se comunicar é preciso antes de tudo saber escrever, saber interpretar. Em muitos casos, uma pessoa sem a devida instrução não sabe como lidar com essa ferramenta chamada internet. Talvez isso explique o acesso à grande rede para se fazer coisas erradas e/ou fúteis.

Fica aqui registrado o aparecimento dessa nova conexão à internet, via energia elétrica. E também fica registrado, o lembrete de que o surgimento de novas tecnologias, de novos meios de comunicação, assim como a inclusão digital são importantes. Mas nada é mais importante do que a alfabetização, a atenção à educação , à formação do indivíduo. Seria preocupante pensarmos em uma população que sabe trilhar pelos caminhos da internet, mas não sabe ao menos escrever corretamente. Não é?

Que bom seria se o nível escolar da população fosse tão grande quanto a velocidade em que as novidades tecnológicas aparecem.

Rudney Guimarães


15/04/2009

Ainda sobre o VOLP




O presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandronim lançou o VOLP - Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - esta semana em Portugal. As mudanças na língua portuguesa não foram bem aceitas e geraram opiniões contrárias ao novo modo de escrever algumas palavras. Abriu-se espaço para questionamentos em relação à real necessidade de se mudar algo na língua portuguesa, e principalmente em unificar a língua nos países em que ela é língua oficial.

Mas por que Portugal mantém um certo protecionismo em relação à língua portuguesa escrita por lá? O acordo ortográfico é um ato muito mais de ordem política a qualquer outra coisa. Até então, o português era a única língua ocidental com duas ortografias oficiais. Uma usada no Brasil, outra em Portugal e nas ex-colônias africanas e asiáticas. Em Portugal, algumas palavras contêm consoantes mudas, que não são usadas no Brasil, como por exemplo: acção, contacto, óptimo, direcção. Desta forma, se um texto for redigido em Portugal e mandao ao Brasil, ele deverá ser refeito, com as devidas correções. Acontece que algumas palavras em Portugal têm sentidos diferentes no Brasil. A palavra 'facto' em Portugal, é diferenciada de 'fato'. Isso porque a primeira quer dizer 'fato, acontecimento', enquanto a segunda é um tipo de terno.

Talvez, a adaptação ao novo acordo ortográfico seja um pouco mais difícil para os Portugueses, mas cabe ressaltar que a língua escrita se aprende através do ensinamento. Realmente é necessário aprender as regras da escrita, diferentemente da fala, onde a pessoa nasce com a aptidão intelectual para exercer esse tipo de comunicação. O se humano nasce pronto pra falar, já vem com o seu cérebro programado, mas não nasce pronto pra escrever.

Portanto, não é uma missão das mais difíceis. Muitos lembram por exemplo, da retirada do 'ph'escrito em 'pharmácia'. É notório a curiosidade e o interesse das pessoas em se adequar às novas regras visando escrever de forma correta. Mas, assim como em toda mudança, por menos radical que ela seja, nem todos saem satisfeitos. Há aqueles que acharam desnecessárias as mudanças.

Mas agora você deve estar perguntando: e em relação aos computadores, quando os softwares estarão atualizados com às novas regras? Bem, à princípio, o Office mais famoso, o Word, da Microsoft não dá pistas de adequação do seu corretor ortográfico, ainda. Porém, existem softwares que podem ser criados e modificados por qualquer programador, chamados de softwares livres. Um deles, o BrOffice, semelhante ao pacote da Microsoft, foi o primeiro a atualizar seu corretor. Porém, ele só funciona em programas livre e não roda no Word, por exemplo. Nos celulares, a atualização às novas regras também deve demorar um pouco.

A mudança na grafia de algumas palavras não deve servir como desculpa para quem por ventura escrever alguma palavra errada. Sabe-se bem que as pessoas têm dificuldades em saber como se escrevem palavras que talvez nunca tenham sido mudadas. Tudo é questão de prática na escrita, na leitura, de curiosidade e vontade de aprender e compreender a língua portuguesa cada vez melhor.

E por fim, a unificação da língua portuguesa entre os países em que ela é língua oficial, tem um enorme caráter de interação entre os povos de mesma língua. Nada mais coerente, então.


Rudney Guimarães

29/01/2009

Teremos que aprender a escrever de novo?

    
Sim, teremos que aprender a escrever de novo, mas só algumas palavras. Isso porque novas normas ortográficas entraram em vigor a partir dos primeiros dias de 2009, ditadas pelo Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa. O Volp (vocabulário ortográfico da língua portuguesa traz as mudanças na escrita de algumas palavras que já andam causando algumas dúvidas e divergências nas opiniões das pessoas. Há tempos estamos habituados a escrever VÔO, e agora a palavra será escrita VOO - sem o acento circunflexo, o famoso "chapéu". Esse é só uma das mudanças, que estão causando certa estranheza entre as pessoas, devido à escrita usada até então. Pois bem, abaixo irei relatar através das novas regras o que mudou na escrita. No que diz respeito à acentuação, não será usado acento nos casos citados abaixo: 1 - Os ditongos "ei" e "oi" perdem o acento, quando paroxítonas. Exemplo: antes era idéia / agora é IDEIA. antes era Coréia / agora é COREIA antes era heróico / agora é HEROICO (mas atenção, HERÓI continua com acento, pois apesar de ser ditongo, trata-se de uma oxitona. 2 - Os hiatos em "i" e "u" tônicos, quando vierem após duas vogais. Exemplo: antes era feiúra / agora é FEIURA antes era Guaíba / agora é GUAIBA Obs.: PIAUÍ continua com acento, pois é oxítona. As proparoxítonas também não estão na nova regra, como por exemplo MAIÚSCULA. 3 - Os hiatos "oo" e "ee" nos casos dos substantivos e verbos. Exemplo: antes era lêem / agora é LEEM antes era abençõo / agora é ABENÇOO 4 - Os acentos diferenciais também não serão mais acentuados. Exemplo: pára (verbo parar na 3ª pessoa), antes era pára / agora é PARA - Para saber diferenciar o PARA (se é preposição ou verbo), é necessário obsrevar o contexto da frase. - A mesma regra vale para as palavras "pêlo" - agora PELO - e "pólo" - agora POLO. - No caso de "pôde", o acento está mantido, assim como o verbo "pôr". - O verbo "ter" na 3ª pessoa do plural do indicativo (têm), e o verbo "vir" também na 3ª pessoa do plural do indicativo, continuam com o acento - têm / vêm. - A palavra "fôrma" (aquela de cozinha) pode ser escrita com ou sem acento. 5 - O famoso trema, usado em palavras como "lingüiça", não existirá mais, exceto em palavras devivadas de nomes próprios estrangeiros. Exemplo: antes era pingüim / agora é PINGUIM - Pela regra, o trema deverá ser usado em palavras como "mülleriano" (derivada de Müller) Outra mudança foi na colocação do hífen. Na maioria dos casos ele foi 'banido', mas em alguns casos, onde ele não existia, agora existe. 1 - As palavras compostas, quando o prefixo terminar em vogal e a próxima letra for a mesma vogal, coloca-se o hífen. Exemplo: antes era microondas / agora é MICRO-ONDAS antes era arquiinimigo / agora é ARQUI-INIMIGO - A regra não vlde para o prefixo "co" e para p refixo "re". Portanto, palavras como "cooperar" e "reeleger" continuam sem hífen. 2 - Se após o prefixo vier a letra "H", continua o hífen. Exemplo: super-homem 3 - Nomes de espécies botânicas e zoológicas levam o hífen. Exemplo: bem-me-quer; feijão-preto. - Palavras derivadas de espécies botânicas também levam hífen (água-de-coco; azeite-de-dendê). - A palavra bico de papagaio, quando se referir ao problema de coluna, escreve-se sem o hífen; quando se tratar de uma planta, usa-se com hífen (bico-de-papagaio). 4 - Em nomes compostos de lugar, iniciados por "Grão", que contenham um verbo ou cujos elemtnso estejam ligados por um artigo. Exemplo: Grão-Pará, Santa Rita do Passa-Quatro, Baía de Todos-os-Santos. Não se deve usar o hífen em alguns casos. 5 - Nas palavras compostas em que o prefixo terminar em vogal e a letra seguinte seja uma vogal diferente, o hífen não deverá ser colocado. Exemplo: antes era anti-aéreo / agora é ANTIAÉREO antes era infra-estrutura / agora é INFRAESTRUTURA 6 - Nas palavras compostas, quando o prefixo terminar em vogal e a próxima letra for uma consoante "r" ou "s", dobra-se a consoante. Exemplo: antes era contra-regra / agora é CONTRARREGRA antes era semi-selvagem / agora é SEMISSELVAGEM - Palavras compostas com prefixos super, hiper ou inter, continuam com o hífen. Exemplo: super-resistente, inter-relacional Atenção 7 - Quando a palavra composta tem o prefixo super, hiper ou inter, terminados na consoante 'r' e a próxima letra também for 'r', a regra manda continuar com o hífen. Exemplo: super-resistente. 8 - Palavras em que a composição se perdeu, não usam mais o hífen. Exemplo: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paraquedismo. Esta é uma parte polêmica do acordo ortográfico. Mas apenas as palavras acima sofrerão mudanças, segundo a Academia Brasileira de Letras. 9 - Os conjuntos de palavras que formam uma nova palavra como novo significado e função gramatical (locuções) não levam mais o hífen. Exemplo: 'dia-a-dia', agora escreve-se 'dia a dia'; 'pé-de-moleque' agora escreve-se'pé de moleque'. Porém, o acordo manteve o hífen em 7 locuções. São elas: água-de-colônia; cor-de-rosa; pé-de-meia; deus-dará; arco-da-velha; queima-da-roupa e mais-que-perfeito. O acordo ortográfico pretende unificar a forma como o português é escrito nos oito países em que é língua oficial. São eles: Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Portugal. Existem lugares onde o português é falado, mas não é língua oficial: - Região administrativa especial de Macau, que pertence à China. - Estados de Goa, Damão e Diu, além dos territórios de Dadrá e Nagar Aveli, na Índia. Rudney Guimarães